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Dissídio 2026: o impacto vai além do salário

O reajuste salarial dos funcionários representa apenas parte do impacto do dissídio no orçamento dos condomínios. Com a entrada em vigor da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027, em 1º de outubro, a atualização dos salários exige que síndicos e conselheiros revisem também as despesas relacionadas à folha de pagamento e à manutenção das equipes.

Na capital paulista, a convenção coletiva registrada sob o número SP009344/2026 estabelece reajuste salarial de 6% para a categoria abrangida, além de atualizar os pisos profissionais e disciplinar outras condições de trabalho. A aplicação das regras deve respeitar o enquadramento do condomínio e a convenção coletiva correspondente. 


O custo da folha vai além do reajuste

O aumento dos salários repercute em outras despesas, como FGTS, contribuições previdenciárias patronais, férias acrescidas de um terço, 13º salário e horas extras, conforme as regras aplicáveis a cada verba. Por isso, calcular o impacto do dissídio apenas pela diferença entre os salários anteriores e os novos valores pode levar a uma previsão incompleta dos custos.

A composição da equipe também influencia o resultado. O número de funcionários, as jornadas praticadas, os adicionais pagos e a frequência de horas extras precisam entrar na análise. Com esses dados, a administração consegue estimar o custo mensal e anual da folha e avaliar os reflexos no orçamento de 2027.

“O reajuste salarial precisa ser analisado dentro do conjunto das despesas com pessoal. Quando o condomínio considera também os encargos e as demais verbas trabalhistas, consegue fazer uma previsão orçamentária mais próxima dos custos que efetivamente terá de assumir”, afirma Marcelo Jardim, Gerente de Departamento do Pessoal na Mario Dal Maso.


Recebimento de encomendas tem regra específica

Entre os pontos previstos na convenção coletiva da capital paulista está o adicional de 5% sobre o salário nominal para porteiros e vigias, diurnos ou noturnos, autorizados pelo síndico que, além das funções habituais, recebam, confiram, organizem e entreguem pacotes e produtos adquiridos pelos condôminos pela internet.

A cláusula também prevê reflexos desse adicional no cálculo das horas extras, do 13º salário, das férias, das indenizações e dos depósitos fundiários. A aplicação deve observar as condições estabelecidas no instrumento coletivo, inclusive quanto às atribuições efetivamente exercidas pelos profissionais. 

A disposição torna importante revisar as rotinas da portaria e conferir se os pagamentos estão de acordo com as regras aplicáveis. Nos condomínios que contam com equipes terceirizadas, é necessário verificar o enquadramento dos trabalhadores e a convenção coletiva correspondente à empresa prestadora.


Planejamento para 2027

A revisão do orçamento deve considerar os novos valores salariais, os encargos e os adicionais aplicáveis, além de possíveis variações na composição da equipe. A conferência da folha com a administradora e a contabilidade ajuda a identificar os impactos e a evitar que despesas previsíveis fiquem fora do planejamento.

Mais do que aplicar o reajuste, o desafio é compreender como as disposições coletivas repercutem no custo total da operação. Com informações atualizadas, síndicos e conselhos podem avaliar as despesas com maior precisão e planejar o próximo exercício com mais segurança.

 

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